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Sistema sob medida ou sistema pronto: como decidir

Capa do artigo "Sistema sob medida ou sistema pronto: como decidir", com blocos que se encaixam ao lado do título.

Uma declaração de interesse antes de começar: a Stringari desenvolve sistemas sob medida. Isso significa que temos um viés, e que você tem o direito de desconfiar de quem só sabe vender um dos dois caminhos. Por isso este artigo faz o contrário: mostra os casos em que o sistema pronto é a melhor resposta, e só depois os casos em que o sob medida compensa.

A pergunta "pronto ou sob medida?" costuma ser mal formulada. A pergunta útil é: o que, no seu jeito de trabalhar, precisa ser do jeito que é? Se a resposta for "quase nada", há sistemas excelentes esperando por você. Se for "justamente isso é o que nos diferencia", a conversa muda.

Quando o sistema pronto costuma ser a melhor escolha

  • O processo é comum ao seu setor: emitir notas, controlar o financeiro básico, fazer a folha, gerir uma agenda. Milhares de empresas fazem a mesma coisa, e quem produz o sistema já resolveu os problemas que você ainda vai descobrir;
  • Você precisa começar rápido, e com investimento inicial menor;
  • A equipe consegue se adaptar ao jeito da ferramenta, com poucos ajustes;
  • A obrigação legal ou fiscal é complicada e muda com frequência (impostos, notas fiscais, obrigações acessórias). Aqui, manter um sistema próprio sempre atualizado é um custo que raramente vale;
  • Você não tem quem cuide de um sistema próprio, nem quer ter.

Nesses casos, contratar um sistema sob medida seria gastar para reinventar o que já existe. Um fornecedor honesto diz isso na primeira conversa.

Quando o sob medida passa a fazer sentido

  • O processo é parte do que diferencia o seu negócio, e uma ferramenta genérica o nivelaria por baixo;
  • Hoje você junta vários sistemas e planilhas que não conversam, e a equipe gasta horas por semana copiando dados de um lugar para outro;
  • A ferramenta pronta exige tanto contorno e gambiarra que o trabalho de adaptação custa mais que o sistema;
  • As integrações de que você precisa (com o site, o WhatsApp, o contador, um equipamento) não existem prontas, ou existem de forma frágil;
  • O número de usuários faz as mensalidades por usuário pesarem, e o uso é simples o bastante para um sistema próprio ser mais barato ao longo dos anos;
  • Você precisa que a informação, o código e as regras fiquem sob o seu controle.

Compare o custo total, não o preço inicial

O orçamento inicial é só uma parte do custo, nos dois caminhos. Considere um horizonte de pelo menos três a cinco anos e some:

ItemSistema prontoSistema sob medida
Custo inicialImplantação, configuração, migração de dadosLevantamento, desenvolvimento, testes
Custo recorrenteMensalidade, em geral por usuário ou por volumeHospedagem, suporte e manutenção
AdaptaçõesCustomizações e integrações, quando existem, às vezes pagas à parteMudanças e novas funções, orçadas conforme a necessidade
TreinamentoDa equipe, a cada troca ou entrada de pessoasDa equipe, mas o sistema é desenhado em torno de como ela já trabalha
Custo de sairMigrar os dados e o processo para outra ferramentaEntrega do código e dos dados, e a necessidade de alguém que consiga manter
Custo escondidoHoras perdidas com contornos e tarefas que o sistema não fazRisco de escopo mal definido, que se resolve com um bom levantamento

Exemplo numérico ilustrativo, com valores inventados só para mostrar a conta; os seus serão diferentes.

Imagine que um sistema pronto custe R$ 150 por usuário por mês, para 12 usuários, mais R$ 6.000 de implantação. Em cinco anos: R$ 150 × 12 × 60 meses = R$ 108.000, mais R$ 6.000, ou R$ 114.000. Agora imagine que a equipe perca duas horas por semana, por pessoa, em contornos, a R$ 40 a hora: R$ 40 × 2 × 52 × 12 pessoas = R$ 49.920 por ano, ou cerca de R$ 250.000 em cinco anos. O custo "invisível" supera a mensalidade.

Agora o outro lado, também com valores fictícios: um sistema sob medida de R$ 120.000, mais R$ 1.500 por mês de hospedagem e manutenção, soma R$ 210.000 em cinco anos. Se ele elimina boa parte das horas perdidas, a conta favorece o sob medida. Mas se o sistema pronto já resolvia o problema sem contornos, ou se as horas perdidas fossem poucas, a conta se inverteria.

O ponto da conta não é o resultado, e sim as perguntas que ela força: quanto tempo a equipe perde hoje? Quantos usuários teremos em três anos? O que a ferramenta cobra a mais por cada integração? Responda com os seus números.

Pergunte sobre dependência antes de assinar

Em qualquer caminho, existem perguntas que parecem de contrato e são, na verdade, de sobrevivência:

  • Consigo exportar todos os meus dados, em formato aberto, a qualquer momento? Em quanto tempo?
  • De quem é o código? No sob medida, isso deve estar escrito em contrato. A lei brasileira trata o software como obra literária, e, em alguns casos de encomenda, os direitos podem caber a quem contratou, mas isso depende do que foi combinado; não deixe a dúvida para depois. Em sistemas prontos, o código normalmente é do fornecedor, e você contrata uma licença de uso;
  • O que acontece se o fornecedor fechar, for comprado ou mudar o preço? Existe plano de saída?
  • Quem hospeda e faz backup, e onde ficam os dados?
  • Qual a tecnologia? Se for muito rara, achar quem mantenha vai ser caro. Se for comum, o sistema não fica refém de uma única empresa;
  • Como funciona o suporte e qual o prazo para resolver problemas?

Para sistemas com dados de clientes, acrescente a LGPD: quem é responsável pelos dados, onde estão e como são protegidos.

O caminho do meio

Entre os dois extremos, muitas empresas escolhem uma combinação sensata: usar ferramentas prontas para o que é padrão (financeiro, nota fiscal, e-mail) e desenvolver o que é específico (o fluxo de pedidos, o painel de acompanhamento, a ligação entre os dois), conectando tudo por integração. Você paga por desenvolvimento só onde ele faz diferença, e mantém o resto atualizado por quem faz disso o seu negócio.

Esse caminho também serve como primeiro passo: começar com uma ferramenta pronta e uma pequena peça sob medida em volta dela é uma forma de aprender o que o processo realmente exige antes de investir em algo maior.

Perguntas para responder em equipe

  1. O nosso processo é igual ao dos concorrentes, ou é o que nos diferencia?
  2. Quantas horas por semana a equipe perde com contornos, duplicações e retrabalho?
  3. Quais integrações são indispensáveis, e elas existem prontas?
  4. Quantas pessoas vão usar o sistema hoje e daqui a três anos?
  5. Quem, dentro ou fora da empresa, vai cuidar do sistema depois do primeiro ano?
  6. O que acontece com o negócio se o fornecedor desaparecer?

Se as respostas apontam para uma ferramenta pronta, ótimo: economize. Se apontam para o sob medida, a conversa começa pelo levantamento: Como levantar os requisitos antes de contratar um sistema mostra como chegar a ela com o escopo bem definido. E se você ainda está tentando saber se o problema é mesmo de ferramenta, veja Quando planilhas e mensagens deixam de ser suficientes.

Quando o caso pede algo feito para o seu jeito de trabalhar, a Stringari começa pela escuta, e não por uma proposta pronta. O formulário de briefing é o jeito de conversar com a gente.

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